Hoje nem eu me recomendo...

24
Fev 15

Ele é um cego que vive sozinho numas águas-furtadas de um prédio antigo e alto, bem no coração da cidade: Lisboa.

Tem a melhor vista da cidade que alguém pode desejar mas é cego e por isso não a aproveita. Nem saberia fazê-lo porque nasceu sem a possibilidade de a ver com os próprios olhos. Ainda assim é um apaixonado pelos sons e por isso gosta de abrir as clarabóias e ouvir os passarinhos a chilrear, o som dos barcos quando atravessam o Tejo e num ou noutro dia em que o vento muda de direcção, aprecia também o som do trânsito ou do comboio quando atravessam a Ponte.

Sai muito pouco de casa, porque viver num último andar e ser cego não é a melhor combinação que se pode ter ou desejar. 

Não é velho, mas há muito que deixou de ser uma criança. Dir-se-ia que é ainda um jovem, talvez porque a cegueria o ajuda a não ter tantas rugas de expressão ou então porque se maravilha a cada passo, já que não vê o que maioria dos outros observam. Deve ser também daí que lhe vem a ingenuidade e a capacidade de acreditar.

Acredita sempre muito, provavelmente porque não vê e assim é incapaz de descortinar as traições que as expressões dos outros por vezes denotam. Em compensação desilude-se muito. Mais uma vez porque não descortina os pequenos sinais que para ele são invisíveis.

Já pensou em adoptar um cão-guia, mas o processo é longo e demorado e por isso usa apenas a bengala de apoio que já está gasta, mas que é quase uma extensão da sua mão. 

Tem um tacto apurado e isso já o safou muitas vezes de situações perigosas, mas sabe que tendencialmente vai morrer cedo porque é mais atrito a acidentes do que a maioria das pessoas. Compensa com um instinto apurado que foi desenvolvendo ao longo do tempo.

Pinta a sua própria realidade e preenche-a com cores mais bonitas do que a realidade é capaz de oferecer. Pode não ver os dias de sol e céu azul, mas também não vê o cinzento do céu quando chove. Para ele a chuva será sempre verde porque esse é o cheiro que lhe chega pela janela aberta quando está a chover.

Diz que vê com os olhos da alma e isso basta-lhe. É feliz na sua própria cegueira porque nunca viveu de outra forma e não conheceu o Mundo doutra cor.

 

O seu nome é Amor.

 

 

Consumido por A. Leya às 14:26
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27
Dez 13

O único presente que eu realmente queria no meu aniversário tem uma probabilidade tão reduzida, mas tão reduzida de ser real que mais me vale começar já a fazer a lista!

Consumido por A. Leya às 11:48
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07
Mar 12

Quando ironicamente o meu oftalmologista me diz que o meu problema é andar com falta de lágrimas.

Consumido por A. Leya às 11:23
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05
Mar 12
Consumido por A. Leya às 12:09
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02
Mar 12

Sempre gostei de make up sex.

Consumido por A. Leya às 21:44
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28
Fev 12

Mal acredito que Fevereiro está a acabar.

Consumido por A. Leya às 20:43
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Desde essa altura. E eu também.

 

 

Consumido por A. Leya às 15:41
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E quando se tem uma sensação no peito, que nos aperta, que nos sufoca, que nos faz saber que algo está para acontecer e parece que nunca mais acontece?

Consumido por A. Leya às 14:01
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24
Fev 12

 

 

 And you?

Consumido por A. Leya às 14:01
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21
Fev 12

Há quem se lembre do dia mais feliz da vida quando casou. Há quem se lembre dele como aquele em que se divorciou.

Normalmente a maioria das pessoas dirá que o dia mais feliz das suas vidas foi quando teve o seu primeiro filho e o segundo e quiçá o terceiro ou quarto.

Alguns dirão que foi o último Natal, a passagem de ano do ano passado, o dia da tal festa em que saíram à noite, o dia em que beberam até ao limite ou aquele em que fumaram substâncias ilícitas.

Depois há aqueles que dirão que o dia mais feliz das suas vidas foi quando acabaram o curso, quando compraram o seu primeiro carro, quando assinaram a escritura da sua casa.

Haverá também quem diga que o dia mais feliz da sua vida foi quando fez a tal viagem de sonho, quando arranjou o primeiro emprego ou o actual, quando abriu o seu negócio, quando apareceu na televisão, quando ganhou um concurso, quando os seus feitos saíram no jornal ou quando foi convidado para o tal projecto aliciante ou o desafio com que sempre sonhou, quando viu o seu talento reconhecido.

Há ainda aqueles cujo dia mais feliz das suas vidas foi quando conheceram o namorado, a namorada, a actual mulher ou marido. Ou então aquele em que foram pedidos em namoro. Ou mesmo aquele em que o pedido de casamento apareceu. 

Por fim há aqueles que já tiveram dias tão felizes que aquele que melhor recordam é o dia em que encontram o seu gato perdido na rua e o levaram para casa. Ou o cão. Ou aqueles em que lhe foi oferecido um animal de companhia.

E em último também haverá quem recorde o dia mais feliz das suas vidas como o último que passaram ao lado da pessoa que amavam.

 

Para mim, o dia mais feliz da minha vida foi aquele em que a minha mãe deitou as minhas ortopédicas no lixo quando eu tinha 5 anos.

 

Consumido por A. Leya às 17:40
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20
Fev 12

 

 

Roubado daqui

 

Consumido por A. Leya às 19:52
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17
Fev 12

 

 

Consumido por A. Leya às 09:51
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16
Fev 12

O bom filho à casa torna.


Consumido por A. Leya às 12:59
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13
Fev 12

E tão somente um constante desafio a nós próprios.

Consumido por A. Leya às 20:24
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